quarta-feira, 24 de março de 2010

clara luz

num instante de nuvens, eu me volto a si. por que o céu me mostrou que estou viva. não foi o céu, foi o escrever. nem foi o escrever, foi saber que a vida é instante, que a vida é sentir. Inclausurável. e por isso, infinitamente livre! e só por isso a liberdade está em mim, está em um céu azul de fim de tarde, está nas nuvens que se mostram em sombras. estou viva! há muito esperava pelo despertar.
e no entanto, o efêmero é o que permanece, porque o transmuto e retransformo. levo comigo o que sempre foi o que é e sempre será algo diferente.

Não moro mais na casa fraca, minha casa agora é sólida e intransponível. Só aqueles a quem convido podem fazer visitas.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

À Marcha ou Labor

Em tempos
o tempo anda seus caminhos

Sigo em desalento
o vulto do redemoinho

nada mal, estar sozinho
nada mal...

O caminho, em percalços perfazemos
bailando à marcha do tempo
Nada mal...

O labor, tem suor, o seu veneno
das masmorras fugiremos

Em seguir,
Prosperaremos.

Nada mal, um acompanhamento.
Nada mal.

terça-feira, 4 de março de 2008

Não sei se já te disse, amor-
Não , não disse não-
o tanto que gosto da tua boca.
do desenho carnudo dos teus lábios,
Do gosto especial que só ela tem.
Do sopro leve em minha nuca, que me arrepia toda por dentro.

Uma das coisas que mais sentiria falta, também
seria o peso da sua cabeça em meu peito,
o laço do seu abraço em volta de mim....

Ah...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Congresso, a Universidade e a Lixeira.

O antigo ofício dos bureaus, que seria mais ou menos interpretados corretamente como escrivãos, os caras que ficavam sentados naquelas mesinhas com gavetas e escreviam para registrar todas as coisas que eram consideradas importantes e os processos pelos quais passavam, e depois guardava na gavetinha para posterior consulta. Agora esses caras foram substituídos e subdivididos, e tem um para pegar o papel e a caneta, um para escrever, um para ser testemunha e assinar, um para pegar o papel e levar até uma sala especial onde há um outro cara que pegará o papel e o colocará numa área específica onde outro cara irá procurar e pegar o papel e levar até a sala de outro cara que pegara o papel o lerá e analisará...a corrente é infinita.


O antigo ofício dos bureaus agora é algo maior, gigantesto, é um sistema, -um substantivo feminino- chamado burocracia. A burocracia é grande e gorda. Ela está em tudo, contra a nossa vontade, circunda-nos. Ela nos arrasta, como uma enxurrada, ao estilo daquelas que vem com a enchente do rio Tietê, que levaram carros, demoliram barracos, desmontaram barrancos . A burrocracia leva embora a sua crença na conquista, demole sua persistência, desmonta sua vontade de agir.

Brasília, capital do Brasil, sede das grandes instituições governamentais-Congresso, Senado, Tribunal Superior-, depósitos de processos e trâmites burocráticos, atravancamento de papelada administrativa, funcionalismo público na veia estabilizando a classe social dos aspones.Vivendo e funcionando com o único propósito, o de servir um bem maior, o confordo dos nossos representantes perante a sociedade, e daqueles que nos servem (ao governo), qualificados por uma competição acirradíssima, na qual poucos –que fazem cursinhos, compram livros e materiais de estudos, gabaritos ou funcionários - conseguem destacar-se.

(A burocracia é uma barragem, que retèm de um lado toda uma rede de negócios e transações que beneficiam uma classe já estabilizada socialmente, e do outro, impede aqueles de vida não tão previsível de conseguir algo próprio, de ter o controle sobre seus bens, seu nome, seu dinheiro, o direito de ir e vir.)

UnB, Universidade federal de Brasília, que não tem federal no nome mas é mantida pelo governo, mantida pelo pagamento das taxas cobradas pelo governo ao povo pela renda, pelas propriedades, pelas viagens, pelas compras. Encontro de pessoas com diferentes realidades, diferentes idéias, lugar onde fervilha o conhecimento, as relações pessoais, idéias inovadoras, hormônios exarcebados, futilidades, vaidades, exageros.

Encontro de pessoas de diferentes realidades com a monstruosa máquina burocrática, o fantasma da instituição respeitável, representado pelo nome de três letras- o U o N e o B. Ápice de Brasília capital do Brasil, Universidade do Brasil, que ensina aos alunos que A Instituição é poderosa, tem o controle da sua vida, e não há nada que se possa fazer contra ela. Ensina também que não são os bons que vencem, que os picaretas também ganham diploma e que alguns tem o apartamento reformado e lixeiras valiosíssimas, onde só é jogado o lixo de figurões importantes que passam por lá.

Os alunos aprendem a ficarem calados e começam a estudar para o próximo concurso público.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Réu

Quando os fantasmas se solidificam
é tua, e inteiramente tua
a culpa
de deixar escorregar pelos dedos a oportunidade de sair-se ileso
de entregar ao acusador a incontestável prova contra o réu.
É inteiramente tua culpa.

Foi o seu deslize,
de ser desatento ás coisas traiçoeiras,
assim como o seu caráter,
assim como sua índole
que você mesmo tanto conhecia.

Agora, agonize!
Noites em claro suando frio
com medo, aterrorizado,
pelos fantasmas que vem lhe sussurrar:
"Estás perdito...Nada mais te restas, a não ser se mortificar..."

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Poema incompleto

Só ele que me faz.
Só ele que me traz.
Só ele tem aquele...

Junto dele eu senti.
O tempo passou e quando vi
já não era mais.

Segui sem pensar na.
Tentei esquecer de.
Já que saber perdoar é.

domingo, 9 de setembro de 2007

Carta de paixão metafísica

Brasília, 15 julho de 2008

Não sei porque fiquei com você, desde o início.Por uma besteira, coisa de brincadeira, nem era sério.Nem sei porque me fascinei tanto.

Devo confessar que você se mostrava uma pessoa diferente de tudo que conhecia e que batia comigo em alguns pontos. A cada dia você ficava mais interessante pra mim.

Eu neguei e lutei contra, confesso, a responsabilidade por isso é minha. Mas sinceramente, acreditava que não devia me apaixonar. Mas acho que não sou eu que mando nisso, afinal, besta que sou, nem reparei nos indícios... de que algo ia começar.

E a coisa ficou pior do que imaginava. De repente, você já estava meio que dentro de mim. De repente, seu espectro permeava o meu redor, e eu gostava disso. Gostava de sentir sua supraessência exalando por entre a minha, sentir-lhe perto, numa coisa muito mais metafísica que romântica, se é que me entende. Uma coisa muito mais de respirar suas moléculas e sentir que elas difundem dentro de mim...

Desculpe se falo de coisas sem sentido, mas estou apenas transcrevendo as imagens que aparecem na minha mente. As associações na minha cabeça vão num ritmo que nem eu mesmo consigo compreender, as idéias se formam antes que eu tenha domínio sobre elas. E no meio de toda essa bagunça você surge, ou melhor, emerge, etéreo, magnético, e eu quero te possuir todo, penetrar toda sua alma, ler os seus códigos. Quero estabelecer uma conexão alma-mente, o que você talvez não concorde, não compreenda, e esteja achando que estou aqui falando um monte de bobagens...

Não sei porque escrevo tudo isso, nem sei se vou enviar essa carta, na verdade alimento um desejo secreto de que um dia a ache sem querer no meio de um caderno e leia espontaneamente, e se surpreenda com tudo que disse. Porque não imaginava que me sentia assim. Ou porque sabia que eu me sentia assim, já que era exatamente o que sentia. Qualquer um dos dois iria me satisfazer.



Não faço idéia do que há por vir nessa jornada. Nem sei mesmo se esta acabou, já que a distância entre nós não permite que eu compreende o que você sente ou deixa de sentir. Mas pra mim é assim: Se eu me envolvo, tem que valer a pena. Tem que ser profundo, ficar marcado como cicatriz- No bom sentido, claro, nada de machucar. Falo de uma troca intensa de vivência, de vibrações, um compartilhamento de energias, coisas que além de uma história, trarão nova parte de mim.

Porque estou nessa vida para crescer, e para isso convivo com as pessoas, porque elas podem trazer importantes experiências, as quais mudam todo o nosso destino. Claro que algumas não tem todo esse poder, enquanto outras tem esse poder e muito mais. Acho que você já sabe em qual categoria te enquadro; Já sabe também o que espero que me traga.

Se eu realmente te mandar essa carta pelo correio, não repare o modo antigo. É que escrevi isso tudo direto no papel, acho que assim as palavras ganham mais força e me ajudam a aliviar essa tensão de guardar todo esse sentimento. Se eu digitá-las no computador, se tornarão apenas dados virtuais, irreais. Assim garanto que você vai ler o que escrevi, saber o que sinto e penso, pois mesmo que já não queira mais se relacionar comigo não terá coragem de jogar a carta fora sem abrí-la, e a curiosidade faria com que quisesse saber do que se trata. Posso mesmo mandar a carta sem remetente, assim você só saberia que é minha depois que começasse a ler, e acho até que é isso que farei.

Acho que já disse tudo, já me esvaziei dos sentimentos que pesavam em meu peito, trazendo falta de ar. Mais uma vez, obrigada, por ler isso tudo. E não precisa mandar resposta. Pode até mesmo fingir que nunca leu essas palavras. Só me mande um sinal, qualquer sinal, de que você ainda sabe que eu existo...